Guia para escolher o tipo certo de pesquisa de clima para sua empresa

Tempo de leitura: 6 minutos

Um guia e um infográfico para tirar suas dúvidas.

Vou fazer aqui um resumo dos passos a seguir para definir da maneira correta, qual é a pesquisa de clima organizacional adequada para sua organização. Vale lembrar que esse guia é só um guia e você deve levar em conta o porte, a maturidade organizacional e a familiaridade dos gestores de sua empresa com a gestão de pessoas.

“Um parêntesis aqui para uma palavrinha sobre diagnósticos. Tenha em mente que uma pesquisa é um diagnóstico em um organismo vivo que é a sua empresa e no paralelo com o nosso organismo, podemos fazer desde um exame simples, apenas colocando os dedos no pulso para saber o ritmo dos batimentos cardíacos, passando por um exame de sangue completo e chegando até a uma tomografia por emissão de pósitrons. Cada um destes tem uma utilidade específica e seu valor para o qual foi desenhado e construído e traz informações valiosas independentemente da simplicidade ou complexidade.”

Em primeiro lugar vamos deixar claro quais são as variáveis que interessam pesquisar:

  1. Clima organizacional. É a medida da satisfação dos colaboradores com os processos organizacionais gerenciáveis. Estes aspectos obrigatoriamente têm de estar ligados ao aumento da motivação e da produtividade.
  2. Fidelidade. É a tendência de permanecer na empresa apesar das ameaças internas ou propostas externas, é estar satisfeito e com “boa-vontade” para com a empresa.
  3. Engajamento. É o mesmo que envolvimento, comprometimento, participação, compromisso, empenho. É ser naturalmente produtivo e contributivo, não mudando de empresa, mesmo tendo oportunidades”.
  4. Importância. É a relevância de um determinado aspecto do dia a dia da empresa na construção da satisfação ou do bom clima organizacional. Trabalhando os aspectos mais importantes você otimiza seus recursos, não gastando energia com aquilo que tem pouca relevância para construir satisfação.
  5. Impacto. É a correlação que os diversos aspectos de clima organizacional têm com o engajamento. Trabalhando os aspectos com maior correlação existe uma maior probabilidade de você não apenas melhorar o clima como também aumentar o engajamento. É o pulo do gato na priorização de ações.

Sabendo o que pesquisar, vamos separar as pesquisas em termos de profundidade (número de aspectos que são investigados), alcance (número de áreas da empresa que são pesquisadas), custo (relativo entre elas) e periodicidade (frequência dos ciclos de pesquisas).

Tipo 1) Completa, Base ou Âncora

É uma pesquisa quantitativa de fato, com variáveis dependentes e independentes que possibilitarão entender o feedback dos colaboradores e o que os faz mais motivados, engajados e produtivos. Nela se investiga clima, fidelidade, engajamento, importância e impacto. Pode-se entender que esta é a base na qual todas as outras formas de pesquisa operam.

Exige expertise do RH na condução, quando não apoiado por consultoria e avançada base em estatística para tirar todo o proveito do processamento dos dados.

Tem escopo grande, abrangência grande, custo mais alto e frequência de 6, 12, 18 ou 24 meses.

Tipo 2) Sempre Aberta, Always-on ou Feedback Contínuo

Se dividindo em:

a) Para responder perguntas específicas de engajamento de modo a se ter uma medição desta variável em tempo real.
b) A versão digital da velha caixa de sugestões, onde se pode falar sobre tudo e todos de maneira anônima.

Esta pesquisa traz mais os descontentes e deve ser tomada sempre como qualitativa, pobre no tratamento estatístico dos dados, não representando a voz do todo. Tem também uma curva de participação decrescente depois que passa o período da novidade.

Tem escopo pequeno ou indefinido, abrangência pequena, custo muito baixo e frequência sempre aberta, como o nome já diz.

Tipo 3) Pontual, Focal ou Spot

Usada como enquete, pesquisa de opinião ou voto. Apresenta-se um tema e se explora alguns aspectos deste. Pode ser usada como um aprofundamento qualitativo de alguns atributos de uma pesquisa mais extensa. Tem a facilidade de ser aplicada por uma área ou pelo RH de maneira mais rápida, mas traz problemas na amostragem que pode falsear os resultados e produzir dados que não podem ser garantidos. Quando conduzida pelas áreas pode ter o problema na formulação das questões ou atributos por falta de técnica adequada de redação de pesquisas.

Tem escopo pequeno, abrangência pequena, custo baixo e frequência alta.

Tipo 4) Termômetro ou Pulso

Parecida com pesquisa spot com maior frequência e escopo. Ela é utilizada para tomar a temperatura ou o pulso da empresa continuamente ou em intervalos regulares.
Normalmente utilizada para acompanhar os aspectos que estão sendo trabalhados nos planos de ação corporativos.

Pode ser usada também para acompanhamento do ciclo de vida ou “jornada” do colaboradores na empresa, E.V.P. (Employee Value Proposition) ou E.X. (Employee Experience). Tem custo de aplicação um pouco menor do que uma pesquisa Âncora e pode trazer fadiga e descrédito por parte do colaborador se aplicada em excesso, pois vale lembrar que a velocidade de mudança pode ser menor que a frequência da aplicação.

Tem escopo pequeno a médio, abrangência média, custo médio e frequência alta.

Em resumo, como usar cada uma:

Pesquisa âncora – Implementada a cada 6, 12 ou 18 meses, acompanhada de uma boa comunicação, este tipo de pesquisa traz informações ricas e acionáveis tanto para as áreas quanto para a empresa como um todo.

Sempre aberta – Usada como aprofundamento, sempre orientado e tendo um curador da pesquisa ao volante, para não virar uma “caixa de reclamações”.

Focal – Usada como acompanhamento de eficácia de alguma política ou ação tomada, tratando sempre a percepção de um assunto entre dois momentos.

Termômetro – Usada para acompanhar o andamento da efetividade de ações pós pesquisa e para não perder a evolução quando os ciclos de pesquisa âncora são acima de 1 ano.

Quatro recomendações:

  1. Faça um check-up completo pelo menos uma vez ao ano (pode chegar a 18 meses, vá lá) e não deixe de usar outros bons exames diagnósticos que direcionarão as ações de melhoria da saúde geral de sua empresa.
  2. A pesquisa não é o fim. É um meio para se ter informações ricas que orientem ações de melhoria de clima e engajamento. O que vale é a ação.
  3. A tecnologia também é só o meio. Deve-se pesquisar direito, agir, pesquisar de novo e agir de novo. Isto é que traz desenvolvimento. Você não precisa de software. Você precisa de metodologia.
  4. Só faça pesquisa se tem a intenção de implementar ações corretivas. Pesquisar de novo sem ações é jogar dinheiro fora e passar a impressão de desprezo pelo tempo dedicado pelos colaboradores.Você pode ver nossa recomendação de como implementar ações neste outro post: Melhores Práticas na implementação de melhorias pós pesquisa de engajamento e clima organizacional.

Veja um resumo e mais algumas informações que preparamos este infográfico.

Grande abraço!
Alvaro Mello

 

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