Artigos Alvaro Mello em 25 Mar 2009
Geração Y Existe?
No final do ano passado estava apresentando os resultados de uma pesquisa de clima organizacional em uma empresa, quando uma discussão interessante se iniciou ao apresentar os resultados de favorabilidade por idades. Um dos participantes da reunião tinha a teoria de que os resultados de um determinado segmento de respondentes era devido a eles pertencerem à tão falada “Geração Y”. A discussão foi boa, os resultados nem tanto, pois todo mundo “achava” alguma coisa.
Percebendo que tem muita gente falando e pouca gente estudando, resolvemos investigar em profundidade o assunto.
Usando nosso banco de dados com mais de 100.000 respondentes de pesquisa de clima organizacional, tentamos encontrar explicações do comportamento, satisfação e fidelidade dos respondentes de acordo com sua classificação de “Geração” X ou Y. O que descobrimos?
NADA. Ou melhor, quase nada!
Ele pertencer a uma faixa etária, tem menos peso na explicação de sua satisfação ou permanência no emprego do que a escolaridade, o tempo de casa, o nível hierárquico. Foi isso que os números disseram. E como a gente explica isto?
Em nossa visão, se uma pessoa vive 60% de sua vida em um mundo que exige pouco dele, onde os pássaros cantam até de noite, há abundância de empregos e a informação chega apor conta-gotas, seu comportamento vai ser um. Agora se ele vive 60% do tempo em um mundo exatamente ao contrário, seu comportamento será outro.
Um jovem com 25 anos viveu 60% de sua vida neste segundo mundo, rápido, superficial, volátil e eu, com meus 49, vivi uns 30%, logo estarei bem menos “impregnado” das coisas de hoje.
Precisamos olhar para o mundo e ver o que ele exige das pessoas, assim estaremos sempre preparados para enfrentar os desafios das gerações, Y, Z, W etc. Olhando para como o mundo é, não nos assustaremos com as gerações por vir.
Se sua empresa emprega muita gente jovem e está difícil reter ou satisfazê-los e a teoria da geração Y já lhe passou pela cabeça, olhe para seus colaboradores e tenha em mente que a busca e o papel da juventude em qualquer época, é aprender, desenvolver, questionar. Se você estiver proporcionando isto, terá retenção alta e satisfação alta.
Abraço
Alvaro
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em 8 de Abril de 2009 @ 17:07 1.Breno disse:
Tenho 24 anos e curso pós-graduação em Gestão de Comunicação Social, e o que eu mais encontro é retenção. Mas não aquela retenção dentro da empresa, que segura o funcionário. Encontro retenção de fora pra dentro. São empresas que simplesmente fecham as portas da oportunidade aos jovens, uma vez que para elas a experiência é a única qualidade admissível. Se é difícil para as empresas reter os jovens funcionários, é mais difícil ainda para os jovens conseguir a atenção das empresas.
em 9 de Julho de 2009 @ 01:07 2.Lina disse:
Caro Breno,
Se me permite,gostaria de sugerir-lhe que revisse suas estratégias para colocação no mercado de trabalho. Não sei qual a sua formação, pois falou apenas que cursa pós em Gestão de Comunicação Social.
Mas fique atento, em breve começa a caçada aos trainees, as empresas geralmente iniciam seus processos em outubro.
Se conversamos com alguem com mais de 40 anos, ouviremos que as empresas preferem os mais jovens, porque estes tem mais energia e os salários são menores. Numa conversa com jovens, queixam-se da falta de oportunidade, porque não tem experiência. Quem tem razão?
Tem razão quem mantem duas coisas, atualização e o brilho nos olhos. Gente que gosta do que faz ou do que escolheu fazer. Ter uma boa e coerente formação é importante, mas a ATITUDE nas etapas de um processo seletivo podem fazer a diferença. Se ficou para finalista em um processo, mas a escolha recaiu sobre outro candidato, peça um feedback para o profissional que conduziu o processo, deixando claro que voce não está questionando o resultado, mas que deseja aprimorar-se.
Desejo-lhe sorte e sucesso!
em 9 de Julho de 2009 @ 02:14 3.Lina disse:
Sim, a geração Y existe!
Com suas características imediatistas buscando respostas para o aqui e agora. Segundo o professor Moisés Balassiano, da FGV-RJ, tiveram como escola o “ aprendizado nos games…… tentativa e erro. A cada nível, o jogo apresenta novos desafios e situações diferentes…..é dessa forma que os jovens se comportam no ambiente de trabalho”.
Penso que o problema não está neles, mas nos gestores que resistem em mudar suas velhas práticas. Não adianta uma empresa ter um belo programa de incentivos, código de ética e salários interessantes, se suas lideranças não tiverem aderência à idéia de que o conhecimento deve ser
“construído” e assimilado no dia a dia, que o questionamento faz parte desta construção, que as promessas devem ser cumpridas, que é imprescindível que haja desafio, que a autoridade (do chefe) deve ser substituída pelo respeito aos valores que norteiam seu comportamento e que somente assim o aprendizado será mútuo.
A diferença está apenas na velocidade e na forma como isso passou a ser exigido, mas a receita continua a mesma. Hoje a chamada geração Y cobra abertamente, enquanto as anteriores reclamavam em off nos corredores e no cantinho do café, propiciando ao “chefe” fingir que não sabia da insatisfação de sua equipe.
A grande mudança tem que ocorrer nas lideranças, começando pela alta direção que deve ser o grande exemplo a ser seguido dentro da organização. Esta geração não terá paciência para esperar que você mude…ela vai mudar de emprego!