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Arquivo de Março de 2008



Artigos Alvaro Mello em 07 Mar 2008

Idades

Desde quando o ser humano começou a dar alguns passos em sociedades minimamente organizadas, já existia o conceito de que cada etapa da vida apresenta uma tarefa a ser cumprida. Os ritos de passagem de algumas tribos, a maioridade dos ocidentais, o fato de poder dirigir automóveis e votar, entre outras coisas, são expressões destas fases. E achar que o homem termina o seu desenvolvimento a partir do momento quando completa 21 anos é uma enorme miopia.

Gregos e romanos antigos já se preocupavam com o tempo de duração de cada uma das fases da vida, e estes estudos continuam até hoje, com interpretações e abordagens muito interessantes, mas o principal ponto que quero salientar aqui é:

Qual é a tarefa básica que temos que cumprir em cada uma destas etapas?

A despeito das diferenças da quantidade de anos que se passam para completar uma fase em cada uma das correntes, podemos identificar alguns intervalos bem característicos dentro da fase produtiva da vida:

Dos 20 aos 30 anos
É nesta fase que ocorre o maior número de mudanças de emprego e tentativas de se adequar ao mundo corporativo, com muitas “bolas fora”, entusiasmo e “micos a pagar”. A tarefa que tem a cumprir é amadurecer, deixar de ser verde, experimentar e desafiar. Dentro de uma equipe equilibrada, o profissional com esta idade é o que tem mais condições de FAZER, quebrar paradigmas, perguntar os chatos e necessários motivos das coisas.

Dos 30 aos 40 anos
Tem como tarefa completar o que foi estabelecido na fase anterior. Diminuem as mudanças de emprego e a juventude agora já é coisa do passado. Nesta fase, o profissional já é capaz de fazer uma boa auto-avaliação, o que não quer dizer que ele a faça. Busca responsabilidades para si, o que pode ser visto pela vontade que tem de crescer dentro da empresa. A vontade de fazer muitas coisas vai sendo substituída pela vontade de fazer uma coisa muito bem feita. O desenvolvimento intelectual está no auge, bem como a capacidade de trabalho, quantitativamente, é claro. Numa equipe de trabalho, são estas as pessoas que pensam e organizam o trabalho.

Dos 40 aos 50 anos
É nesta fase que a maioria das pessoas descobre que o trabalho não é tudo na vida. Isto é uma crise! Uma ótima crise. Uma oportunidade de crescimento fantástica, e talvez a última. O corpo já não é o que era, fisicamente já não tem o vigor de antes. Como profissional, quer identificar os VALORES naquilo que faz, e esta é a contundente e imprescindível contribuição que ele traz às equipes em que trabalha.

Acima dos 50 anos
Uma fase de caminho para a sabedoria para alguns ou declínio para outros. Profissional que embarcou no caminho da sabedoria está muito mais calmo agora, pois a crise da etapa anterior já está no fim. Esta é a idade da sabedoria, da paciência com os mais jovens, da vontade de ensinar e passar conhecimento e da capacidade de emitir julgamentos ponderados sobre as atividades da equipe.

Podemos perceber que cada idade tem uma contribuição específica a ser dada dentro do mundo corporativo, e cabe a cada um que tem uma equipe sob seu comando, usar bem destas qualidades.
É uma necessidade!

O que tentei fazer neste artigo foi “dar uma leve pincelada sobre o assunto”. Recomendo, portanto, para quem quer se aprofundar sobre o assunto, a leitura de dois livros:

Passagens
Gail Sheehy
Editora Francisco Alves

Fases da vida
Bernard Lievegoed
Editora Antroposófica

Artigos Alvaro Mello em 07 Mar 2008

Quer perguntas ou respostas?

Lendo um artigo de uma consultoria norte-americana e comparando a maneira de empresas de sucesso e empresas medianas trabalharem, vi que a forma como as perguntas são feitas em cada uma delas, é muito diferente. Diferentes no que? Uma faz bons diagnósticos e a outra coleta um monte de bons palpites.
A matéria prima dos diagnósticos são as perguntas e não as respostas!
Imagine uma empresa com um desempenho mediano e motivação baixa na sua equipe de vendas. Qual a resposta mais fácil para qualquer respondedor? (isso mesmo, existe uma categoria de pessoas que pode ser chamada de respondedor, ele dá respostas para quase tudo, o tempo todo).
A resposta fácil seria: “Faz um curso motivacional para eles!” E aí vai aquele bando de incautos vendedores para uma atividade ao ar livre (out door trainning, como se diz no meio) ou enfurnados num hotel, em algum lugar semi-paradisíaco, para serem “motivados”. Agora me digam se já não viram esta cena: o povo chega de volta cheio de gás e….. em uma semana, o esforço e o investimento todo virou motivo de brincadeiras sarcásticas….e tudo continua como antes.
Isto nos mostra que imediatismo, pressa, impaciência, simplismo, miopia organizacional são doenças que precisam ser tratadas.
Como?
- Contrate gente com análise crítica na cabeça e no coração. (não é fácil de encontrar, mas existem)
- Ponha alguém de fora do problema para estudar o problema.
- Duvide das soluções que atacam apenas uma causa. Mas duvide mesmo.
- Use ferramentas de diagnóstico isentas, objetivas e abrangentes.
É um ótimo passo.

Um abraço,
Alvaro